Queda do desemprego em 2025 revela avanço do empreendedorismo e novas formas de trabalho no Brasil

Especialista destaca que crescimento do trabalho por conta própria e dos “bicos” ajuda a explicar os números positivos do mercado de trabalho

O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego da série histórica, segundo dados divulgados pelo IBGE. O índice refletiu um cenário de maior ocupação no país, impulsionado não apenas pela geração de empregos com carteira assinada, mas também pelo crescimento do empreendedorismo, do trabalho informal e das atividades por conta própria.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), o número de pessoas ocupadas atingiu recorde ao longo do ano, enquanto a taxa de desocupação caiu para patamares inéditos. O levantamento mostra ainda que parte significativa dessa absorção da mão de obra ocorreu fora do modelo tradicional de emprego, revelando as múltiplas faces do atual mercado de trabalho brasileiro.

Para Flávio Hideo Mikami, especialista em empreendedorismo, os dados mostram uma mudança estrutural na forma como os brasileiros se inserem economicamente. “A queda do desemprego não está ligada apenas à abertura de vagas formais. Ela reflete, sobretudo, o avanço do empreendedorismo e da busca por alternativas de renda, seja por meio de pequenos negócios, trabalho autônomo ou atividades complementares”, analisa.

Segundo Mikami, esse movimento indica maior capacidade de adaptação da população às transformações do mercado. “Muitos brasileiros encontraram no empreendedorismo uma porta de entrada para a primeira ocupação ou uma saída diante da instabilidade do emprego tradicional. Isso ajuda a explicar por que os números são positivos, mesmo em um cenário econômico ainda desafiador”, afirma.

A pesquisa também aponta que o crescimento do trabalho por conta própria e dos chamados “bicos” teve papel relevante na redução do desemprego, especialmente entre jovens e pessoas em busca da primeira experiência profissional. Para o especialista, esse fenômeno exige um novo olhar das políticas públicas. “É fundamental que o empreendedor seja visto como parte estratégica da economia, com acesso a crédito, capacitação e segurança jurídica, para que esses negócios sejam sustentáveis no longo prazo”, destaca Mikami.

Apesar do avanço, o especialista faz um alerta sobre a qualidade da ocupação. “Os números são animadores, mas é preciso avaliar a estabilidade e a renda gerada por essas atividades. O desafio agora é transformar o empreendedorismo de necessidade em empreendedorismo de oportunidade”, pontua. 

Com um mercado cada vez mais diversificado, Flávio Hideo Mikami avalia que o cenário de 2025 confirma uma tendência irreversível. “O Brasil vive um momento em que o trabalho assume múltiplas formas. Entender e apoiar esse novo perfil do trabalhador é essencial para manter a trajetória de queda do desemprego nos próximos anos”, conclui.




 

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