Governadora do Distrito Federal diz que apenas bancos públicos federais evitam negociar com o BRB após crise envolvendo o Master
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), declarou nesta segunda-feira (20) que tem a percepção de que o governo federal não demonstra interesse na recuperação do Banco de Brasília (BRB). Segundo ela, instituições privadas continuam dialogando com o banco, enquanto a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil não têm participado de negociações.
De acordo com Celina, essa postura sugere falta de apoio por parte da União, independentemente de quem seja responsável pela atual crise. Em entrevista à CNN, ela criticou a atitude e afirmou que não condiz com o espírito esperado de cooperação entre entes federativos.
No início de abril, a governadora se reuniu com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, buscando alternativas para reequilibrar as finanças do BRB. Após o encontro, afirmou não ter percebido disposição do governo federal em colaborar com soluções.
Celina também descartou qualquer possibilidade de negociar contrapartidas por parte do Distrito Federal, como mudanças no cálculo do Fundo Constitucional do DF, em troca de eventual apoio da União. Segundo ela, tentativas anteriores de alterar o fundo já foram rechaçadas, e não haverá recuo nesse ponto.
Para a governadora, um eventual suporte federal não seria um benefício unilateral, já que operações envolvendo o BRB também poderiam ser vantajosas para instituições como a Caixa.
Ela ainda fez um apelo ao governo federal para considerar os impactos sociais da crise, destacando que cerca de 6 mil trabalhadores têm vínculo direto com o banco. Segundo Celina, permitir a quebra de uma instituição financeira pode gerar instabilidade no mercado e afetar diversos setores.
Crise do BRB
Celina assumiu o comando do Distrito Federal em meio às dificuldades enfrentadas pelo BRB após seu envolvimento com o Banco Master, investigado por suspeitas de irregularidades contábeis e operações financeiras questionáveis.
Em setembro de 2025, o BRB tentou adquirir o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central. Posteriormente, surgiram denúncias de que os ativos oferecidos na negociação não tinham lastro, o que transformou o caso em um escândalo de grandes proporções.
Investigações da Polícia Federal indicam que pode ter havido conhecimento prévio por parte do BRB sobre problemas nesses ativos, levantando suspeitas de participação no esquema.
Atualmente, o banco enfrenta pressão após a identificação de cerca de R$ 12 bilhões em operações de crédito consideradas irregulares, o que comprometeu seu balanço e elevou a necessidade de capitalização.
Parte da crise está relacionada à estratégia adotada nos últimos anos, com forte exposição a carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master. Nesse modelo, o BRB adquiria direitos sobre pagamentos futuros, assumindo riscos elevados de inadimplência.
Apesar do cenário adverso, Celina Leão reafirmou que não há intenção de privatizar o banco. Ela classificou a crise como pontual e atribuiu os problemas à gestão do ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, preso preventivamente recentemente.




