Sob o olhar emocionado de familiares e amigos, Nazih e Alice Jarjour celebraram suas bodas de diamante na tarde da última sexta-feira (5), em uma recepção marcada por fé, tradição e gratidão.
Realizada no Espaço Villa Rizza, no Clube Monte Líbano, a comemoração reuniu gerações da família e convidados vindos de diferentes partes do Brasil e do exterior para homenagear uma história de amor iniciada há seis décadas.
Mais do que uma festa elegante, a celebração foi um encontro de memórias. Ao longo da tarde, discursos, abraços, reencontros e homenagens relembraram a trajetória de um casal que construiu não apenas uma família admirada, mas também uma história profundamente ligada à imigração síria e aos primeiros anos de Brasília.
Com vista privilegiada para o Lago Paranoá e a Ponte JK, a programação teve início com uma emocionante missa ortodoxa, tradição preservada pela família e que remonta às origens cristãs do Oriente Médio. Cercados pelos filhos, netos, parentes e amigos, Nazih e Alice participaram da celebração religiosa que abriu oficialmente as comemorações e reforçou a importância da fé ao longo de toda a caminhada compartilhada.

Uma história escrita pelo destino
A trajetória dos homenageados parece ter começado muito antes de se conhecerem.
Durante a celebração, o filho caçula, Aziz Jarjour, relembrou uma passagem que atravessa gerações. Na Síria, as mães de Nazih e Alice eram amigas de infância e caminhavam juntas para a escola na região de Deir Atié, próxima a Homs. Décadas depois, suas famílias voltariam a se encontrar no Brasil.
Alice conheceu Nazih ainda jovem, durante uma visita à casa dos avós. Mas foi apenas em 1965, quando ele viajou de Brasília para São João da Boa Vista, no interior paulista, acompanhando a mãe em uma visita a familiares e amigos da comunidade síria, que a história de amor realmente começou.
A matriarca conta que ficou impressionada ao reencontrá-lo. Mais do que a aparência, foi o brilho nos olhos daquele jovem que chamou sua atenção.
Em uma época em que estavam separados por quase mil quilômetros e longas viagens rodoviárias, o relacionamento avançou rapidamente. Vieram um breve namoro, um noivado curto e, pouco depois, o casamento. O que nasceu em pouco tempo, no entanto, transformou-se em uma união para a vida inteira.
No dia 10 de julho de 1966, Nazih e Alice trocaram alianças na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em São João da Boa Vista. Sessenta anos depois, a cumplicidade entre os dois continua sendo uma das características mais admiradas por familiares e amigos.
Da Síria para Brasília
A história de Nazih também se confunde com a de tantos imigrantes que encontraram no Brasil a oportunidade de construir uma nova vida.
Nascido na Síria, ele chegou ao País ainda criança, acompanhando a família que deixou o Oriente Médio em busca de novas perspectivas. Em 1958, os Jarjour apostaram no sonho da nova capital brasileira e passaram a integrar o grupo de pioneiros que ajudaram a construir Brasília.
Ao longo dos anos, a família consolidou uma importante trajetória empresarial na cidade, iniciada com o Café Arábia, fundado em 1960 e lembrado como a primeira indústria instalada no Distrito Federal.
Foi em Brasília que Nazih e Alice construíram sua vida. Aqui criaram os filhos Samira, Rosângela e Aziz, receberam os netos e cultivaram amizades que atravessaram décadas.
Durante a celebração, Nazih contou sobre sua ligação com a cidade.
“Estou aqui desde 1958. Nunca construí um prego fora desta cidade de tanto que eu amo Brasília.”
Alice também relembrou a acolhida que encontrou ao deixar São Paulo para iniciar uma nova etapa ao lado do marido.
“Não esperava fazer tantos amigos nessa Brasília amada. Temos gratidão a todos que contribuíram para o nosso bem-estar nesta terra.”

Fé, família e tradição árabe
Após a cerimônia religiosa, os convidados seguiram para o salão principal do Villa Rizza, onde viveram um dos momentos mais marcantes da tarde.
Nazih e Alice fizeram sua entrada acompanhados pelos filhos, Samira e Aziz, e pelos netos, Tiffany, Aziz Abdala, Christopher e Catherine.
Ao som dos tradicionais tambores árabes e de uma vibrante apresentação de dança típica, o casal desceu a escadaria sob aplausos emocionados dos presentes. O momento simbolizou a união entre passado e presente, celebrando as raízes sírias da família e a história construída em Brasília ao longo das últimas décadas.


A festa reuniu convidados de diferentes regiões do País, incluindo São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina, além de familiares e amigos vindos dos Estados Unidos e do Havaí.
A diversidade de origens refletia a amplitude dos laços cultivados pelo casal ao longo da vida.
A fartura como expressão de acolhimento
A gastronomia ocupou papel de destaque na celebração, seguindo uma das tradições mais importantes da cultura árabe: a fartura como demonstração de hospitalidade, generosidade e respeito aos convidados.
Os presentes foram recebidos com coquetel volante de salgados variados, além de uma ilha de antepastos. No almoço, o cardápio reuniu salada verde Joie de Vivre, tortelli de burrata ao pomodoro com manjericão e pesto, robalo ao molho cítrico acompanhado de risoto de grana padano e legumes sautée, além de steak ao molho poivre vert.
Ao longo da tarde, espumantes, vinhos e outras bebidas diversas acompanharam os brindes e reencontros. Já no encerramento da comemoração, mini-hambúrgueres com fritas garantiram um toque descontraído ao menu.
Um legado construído a muitas mãos
Em sintonia com os valores que marcaram sua trajetória, Nazih e Alice optaram por transformar a celebração em uma ação solidária. Em vez de presentes, os convidados foram convidados a apoiar a Vila do Pequenino Jesus, instituição reconhecida pelo trabalho de acolhimento realizado no Distrito Federal.
A trilha sonora da festa acompanhou diferentes gerações. Ritmos árabes dividiram espaço com clássicos das décadas de 1970 e 1980 e sucessos contemporâneos, mantendo a pista animada durante toda a tarde.

Em tempos de relações cada vez mais rápidas e efêmeras, a celebração dos 60 anos de casamento ganhou um significado ainda mais especial. A data simbolizou uma vida inteira de parceria, respeito, superação e construção familiar.
A admiração também apareceu durante a festa. Em entrevista para a coluna Paula Santana, Nazih afirmou:
“Se estamos com 60 anos de convivência, é porque ela me tolerou. O mérito é dela”, brincou, arrancando risadas.
A tarde chegou ao fim com a certeza de que as bodas de diamante celebraram muito mais do que um aniversário de casamento.
Sessenta anos depois da cerimônia realizada em São João da Boa Vista, o brilho nos olhos que encantou Alice continua presente. Agora refletido nos filhos, netos, amigos e na história que os dois construíram juntos — um legado de amor, fé, generosidade e gratidão que segue inspirando todos ao seu redor.




