À frente do Grupo Levvo, Laura Oliveira aposta em inovação, sustentabilidade e impacto social

Fundadora do Grupo Levvo conta ao podcast Empreender Brasília como começou vendendo doces e artesanato, construiu uma trajetória de quase três décadas ligada ao McDonald’s e ampliou sua atuação para energia limpa, qualificação profissional e projetos de impacto social


Da venda de brigadeiros e pequenos produtos artesanais em Cuiabá à construção de um grupo empresarial com atuação em diferentes frentes, a trajetória de Laura Oliveira, fundadora do Grupo Levvo, é marcada por disciplina, reinvenção e disposição para assumir riscos. Em entrevista ao podcast Empreender Brasília, apresentado por Paulo Melo, a empresária falou sobre os desafios de construir e manter negócios, liderança, formação de equipes, sustentabilidade, responsabilidade social e as oportunidades que enxerga no Distrito Federal.


Laura chegou a Brasília há quase 30 anos, vinda de Cuiabá. Mãe de Valentina e Enzo, ela conta que o desejo de ter o próprio negócio surgiu cedo. Antes mesmo de construir uma carreira empresarial, encontrou formas de conquistar o que desejava por conta própria.

Ainda jovem, vendia brigadeiros, doces de coco, sabonetes e pequenas bonecas artesanais. O dinheiro ajudava a comprar itens que desejava, como cadernos mais sofisticados, lápis coloridos e materiais de papelaria.

“Comecei a empreender desde cedo para buscar meus sonhos”, resumiu durante a entrevista.

A inquietação, segundo Laura, sempre esteve presente. Antes da vida empresarial, trabalhou com turismo, eventos e cerimonial, além de ter passado pelo serviço público. Formada em Administração pela Universidade Federal de Mato Grosso e atualmente estudante de Direito, ela também destaca a educação continuada como parte fundamental de sua formação como gestora.
A mudança para Brasília e uma aposta que mudou sua trajetória

Um dos momentos decisivos aconteceu aos 24 anos. Laura deixou Cuiabá e veio para Brasília, onde enxergava novas possibilidades profissionais. A mudança significou abandonar estruturas que já possuía em sua cidade de origem e apostar em um novo começo na capital federal.

A decisão acabaria abrindo caminho para aquela que ela considera uma das escolhas mais corajosas de sua carreira: entrar para o McDonald’s.

A empresária se aproxima da marca de 30 anos de atuação ligada à franquia. Ao recordar o início, reconhece que abrir o negócio foi difícil, mas ressalta que o desafio maior é permanecer competitivo durante décadas.

Para Laura, existe uma distância significativa entre abrir uma empresa e conseguir fazê-la crescer. Manter um negócio exige capacidade permanente de adaptação, controle financeiro, conhecimento jurídico e contábil, gestão de pessoas e disposição para abandonar a zona de conforto.

“Você tem que se reinventar, você tem que estar sempre para frente”, afirmou.
Do fim de uma sociedade ao nascimento do Grupo Levvo

A construção do Grupo Levvo ocorreu depois de um período de mudanças societárias. Laura contou que manteve durante 14 anos uma sociedade com a irmã. Após o encerramento dessa parceria, percebeu que precisava reorganizar a estrutura empresarial.

Foi nesse processo que buscou apoio da Fundação Dom Cabral e participou do PAEX, programa voltado ao desenvolvimento da gestão empresarial. A experiência contribuiu para uma reestruturação dos negócios e também para a criação de uma nova identidade.

O nome Levvo nasceu da combinação dos nomes de Laura, Enzo e Valentina de Oliveira Vieira, reunindo a trajetória da empresária e a referência aos filhos. Para Laura, o nome representa seu legado familiar, profissional e empresarial.

A partir dessa estrutura, surgiram diferentes braços, entre eles o Levvo Instituto e a Levvo Energia, além da operação ligada aos restaurantes McDonald’s.

A formação técnica em eletrotécnica, realizada ainda no ensino médio, também reapareceu décadas depois em sua trajetória profissional. Laura investiu em geração de energia solar e afirmou no podcast que o grupo possui três miniusinas de energia limpa e renovável, utilizadas para abastecer restaurantes, quiosques, escritórios e estruturas administrativas.

A proposta, segundo a empresária, é unir desenvolvimento dos negócios, sustentabilidade e impacto positivo.
Empreendedor precisa ser “bombeiro e construtor”

Ao falar sobre liderança, Laura recorreu a uma metáfora para explicar como enxerga o papel de quem está à frente de uma empresa.

Para ela, o empreendedor precisa alternar entre ser “bombeiro” e “construtor”.

O bombeiro representa a capacidade de agir rapidamente diante de uma crise, resolver problemas e “apagar incêndios”. Já o construtor simboliza o gestor estratégico, que planeja, estrutura equipes e pensa no futuro.

A dificuldade está justamente em encontrar equilíbrio entre essas duas funções.

Mesmo ocupando uma posição de liderança, Laura defende que o empresário não deve perder o contato com a operação. No caso dos restaurantes, isso significa acompanhar de perto o funcionamento das unidades e entender o que acontece no atendimento ao consumidor.

Ao mesmo tempo, reconhece que nenhuma empresa cresce dependendo exclusivamente de seu fundador.

“Você sozinho não constrói nada”, afirmou.
Delegar não significa deixar de acompanhar

Entre os principais aprendizados acumulados ao longo da carreira, Laura destaca a necessidade de acompanhar aquilo que foi delegado.

Segundo ela, um dos erros de gestão que mais lhe ensinaram foi confiar excessivamente sem estabelecer mecanismos adequados de supervisão. A empresária argumenta que delegar responsabilidades é necessário, mas isso não elimina a necessidade de checagem e acompanhamento.

Na formação das equipes, ela diz buscar uma combinação de características.

Experiência profissional, domínio das novas ferramentas, ética, disposição para trabalhar e maturidade são elementos considerados importantes. Para Laura, profissionais mais jovens podem trazer velocidade e familiaridade com novas tecnologias, enquanto trabalhadores mais experientes oferecem vivência e maturidade.

A composição ideal, portanto, passa pela combinação de diferentes experiências, competências e gerações.
Levvo Instituto aposta em empregabilidade e geração de renda

A preocupação com formação profissional e empregabilidade aparece também no Levvo Instituto, braço social do grupo.

Segundo Laura, a instituição trabalha com jovens a partir dos 16 anos e desenvolve iniciativas voltadas à geração de renda e preparação para o mercado de trabalho. Entre os projetos mencionados por ela está a formação de costureiras, que, de acordo com a empresária, já alcançou mais de 500 pessoas.

Os planos incluem ampliar a oferta de capacitação para áreas relacionadas à tecnologia, com iniciativas envolvendo robótica e engenharia de software.

A intenção é preparar pessoas para um mercado de trabalho cada vez mais transformado pela inteligência artificial e pelas novas tecnologias.

Para Laura, o legado de uma organização não deve ser medido apenas pelo faturamento, mas também pela capacidade de desenvolver pessoas. Durante a entrevista, ela destacou como uma de suas maiores realizações profissionais o reconhecimento adquirido por colaboradores que passaram pelas empresas do grupo.
Brasília ainda pode explorar melhor seu potencial turístico

Apaixonada por Brasília, Laura considera a capital um ambiente com grandes possibilidades para novos negócios. Sua experiência anterior no setor de turismo influencia diretamente essa percepção.

Na avaliação da empresária, o Distrito Federal poderia aproveitar melhor o interesse que naturalmente existe em torno da capital do país e transformar esse fluxo em oportunidades econômicas.

Ela também destaca regiões como Águas Claras, que, em sua avaliação, apresentam poder de consumo e demandas que ainda podem ser exploradas pelos empreendedores.

Ao mesmo tempo, aponta aspectos que precisam avançar. Entre eles estão a mobilidade urbana, melhorias em áreas do entorno e maior previsibilidade no planejamento público. Em uma perspectiva nacional, cita ainda a importância da estabilidade jurídica para quem investe e empreende.

Apesar dos desafios, Laura deixa clara sua relação com a capital.

“Eu sou apaixonada por essa cidade”, afirmou.
Inteligência artificial abre novas possibilidades para quem quer começar

Ao ser questionada sobre o que diria a alguém que deseja empreender, mas ainda tem medo de começar, Laura destacou as possibilidades criadas pela tecnologia.

Ferramentas de inteligência artificial, internet e redes sociais, segundo ela, diminuíram algumas das barreiras para estruturar ideias, divulgar produtos e encontrar consumidores.

Mas tecnologia, sozinha, não substitui execução.

Para a empresária, organização, disciplina e resiliência continuam sendo elementos centrais. Sua própria trajetória — iniciada com a venda de doces e artesanato — é usada como exemplo de que pequenos começos podem evoluir quando existe disposição para trabalhar, aprender e buscar oportunidades.

Essa disciplina também aparece na maneira como administra o tempo. Laura defende que as pessoas precisam avaliar onde gastam suas horas e evitar transformar distrações em obstáculos para os próprios objetivos.
“Propósito traz dinheiro”

No bate-bola final do Empreender Brasília, Laura sintetizou parte de sua visão empresarial em respostas curtas.

Questionada sobre dinheiro ou propósito, respondeu: “Propósito traz dinheiro.”

Ao definir o que considera fundamental para empreender, destacou duas palavras: “disciplina e excelência”.

E, diante da escolha entre razão e intuição, voltou a uma ideia repetida ao longo da conversa: o equilíbrio entre razão e emoção.

A busca por esse equilíbrio, segundo ela, foi construída com os erros, os “nãos”, as frustrações e a maturidade adquirida ao longo da carreira. Laura reconhece que decisões empresariais exigem racionalidade, mas afirma não querer perder a sensibilidade.
Sucesso é ter escolhas

Depois de décadas dedicadas ao trabalho, a definição de sucesso de Laura Oliveira não está concentrada apenas em faturamento, patrimônio ou status.

Para ela, sucesso significa ter escolhas.

É poder decidir onde estar, trabalhar com aquilo que gosta, cuidar da família, pagar as próprias contas, proporcionar educação aos filhos e dedicar tempo às atividades que considera importantes. Também significa não construir a própria identidade a partir da opinião dos outros.

“A mais importante de ter sucesso é você saber quem você é”, afirmou.

No campo pessoal, Laura não hesitou ao apontar sua maior realização: os filhos.

“A minha melhor profissão é ser mãe”, disse.
Grupo Levvo projeta novos negócios e expansão

Para os próximos anos, Laura projeta ampliar as atividades do Grupo Levvo. Entre os planos mencionados no podcast estão a transformação do Levvo Instituto em uma ICT, a abertura de novas unidades do McDonald’s e o crescimento do projeto Jeans do Bem, inclusive no segmento de brindes corporativos.

Outras iniciativas empresariais estão em desenvolvimento, mas, segundo ela, ainda não podem ser divulgadas.

Também está nos planos a continuidade de sua produção como autora. Laura falou sobre uma nova edição de seu livro e sobre o projeto de uma segunda obra, na qual pretende desenvolver a ideia de ser “técnica com ternura” — uma síntese da combinação entre racionalidade, experiência e sensibilidade que procura levar para sua atuação como líder.

Ao final do episódio, depois de uma trajetória marcada por mudanças, riscos, erros, acertos e quase três décadas de atuação empresarial em Brasília, Laura foi convidada a completar a frase: “Laura Oliveira ainda vai...”.

Primeiro, respondeu: “muito longe”.

Pouco depois, reformulou a resposta em uma frase que resume a maneira como enxerga os próximos capítulos de sua história:

“Laura Oliveira ainda vai voar alto.”

VEJA O VÍDEO: 


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