Falar bem não é dom: comunicação pode ser treinada e faz diferença no mercado de trabalho



Estudo de 2026 da Behavior Therapy mostra que a exposição gradual à fala em público pode reduzir a ansiedade e aumentar a confiança. Para Marina Figueiredo, jornalista, professora de oratória e especialista em Neuromarketing e Neurobranding pela PUC-PR, a comunicação é uma habilidade que pode ser treinada

Muita gente ainda acredita que falar bem é uma habilidade natural, quase um dom. No mercado de trabalho, porém, a comunicação está constantemente presente e influencia diretamente a forma como cada profissional se posiciona, é percebido e constrói relações. Ela aparece em reuniões, entrevistas, apresentações, vendas, negociações e em situações em que é preciso defender uma ideia, responder a uma pergunta ou simplesmente se fazer entender.

“Comunicar bem não é falar difícil, é conseguir organizar o pensamento, transmitir uma ideia com clareza e fazer com que o outro compreenda a mensagem. Muitas vezes, o profissional domina tecnicamente o assunto, mas não consegue se comunicar bem porque trava, se perde na fala ou não sustenta o próprio posicionamento”, afirma Marina Figueiredo, jornalista, professora de oratória e especialista em Neuromarketing e Neurobranding pela PUC-PR.

Um estudo publicado em julho de 2026 na revista Behavior Therapy analisou pessoas com medo elevado de falar em público durante exercícios sucessivos de exposição. Os participantes realizaram de duas a quatro apresentações e, após o exercício, apresentaram redução da ansiedade antecipatória, da expectativa de ameaça e da tendência de evitar apresentações, além de maior disposição para falar em público no cotidiano. Os resultados também mostraram diferenças individuais na velocidade e na duração desse aprendizado.

Para Marina, os resultados ajudam a mostrar que o medo de falar em público não deve ser confundido com falta de conhecimento ou incapacidade profissional.

“Tem gente que passa a vida dizendo ‘eu sou tímido’, ‘não sei falar’, ‘não consigo me apresentar’. Só que dificuldade não precisa virar identidade. A comunicação pode ser desenvolvida. Quando a pessoa pratica, ganha consciência e começa a se expor de maneira orientada, passa também a construir uma relação diferente com a própria capacidade de se comunicar”, afirma.

O medo de se expor também pode ser trabalhado

Uma das primeiras experiências propostas aos alunos da FLUIR é uma apresentação rápida, de apenas um minuto e meio, acompanhada de uma orientação simples: “Aqui não é sobre acertar. É sobre começar.”

Outra prática é a “Caixa dos Medos”. Os participantes escrevem inseguranças relacionadas à comunicação, colocam os papéis em uma caixa e depois voltam a se apresentar. A dinâmica busca tornar conscientes medos como julgamento, vergonha e receio de errar. Para Marina, tornar esses sentimentos conscientes é importante porque muitas pessoas passam a evitar justamente as experiências que poderiam ajudá-las a construir segurança.

“Não é preciso esperar o medo desaparecer para começar. Muitas vezes, é justamente começar, em um ambiente seguro, que permite que a pessoa construa uma nova relação com aquela experiência.”

Por que falar em público provoca tanto medo?

Para algumas pessoas, falar diante de um grupo provoca uma resposta intensa de ansiedade. O medo acentuado de falar em público é frequentemente chamado de glossofobia e pode se manifestar por meio de coração acelerado, tremor, alteração da respiração, suor, dificuldade de organizar o pensamento e vontade de evitar aquela situação.

Quando uma situação é interpretada pelo cérebro como ameaça, o organismo pode acionar respostas fisiológicas de estresse. Isso ajuda a explicar por que uma pessoa pode conhecer profundamente um assunto e, ainda assim, sentir que “deu branco” no momento em que precisa se apresentar.

“Às vezes, a pessoa sobe para falar e o corpo reage como se estivesse diante de um perigo real. Isso não significa que ela seja incapaz. Quando começa a perceber que está em um ambiente seguro, cercada por pessoas que também estão aprendendo, errando e evoluindo, aquela experiência começa a ganhar outro significado”, explica Marina.

Para Marina, esse processo também aparece em sala de aula.

“Segurança não costuma aparecer antes da experiência. Muitas vezes, ela nasce justamente da experiência. É falando, percebendo o próprio corpo, ouvindo a própria voz, recebendo feedback e repetindo que a pessoa começa a descobrir que consegue.”

“Eu costumo dizer que a disciplina antecede a espontaneidade. Primeiro você entende a técnica, pratica, repete, observa o que funciona e recebe feedback. Com o tempo, aquilo deixa de parecer esforço e passa a fazer parte da sua maneira natural de se comunicar.”

Sobre Marina Figueiredo
Marina Figueiredo é jornalista há 23 anos, professora de oratória, mentora em comunicação e idealizadora do Método FLUIR. É CEO da Etcetera Comunicação, empresa com duas décadas de atuação em assessoria de imprensa e comunicação estratégica, fundadora do Clube de Oratória de Brasília e editora do portal Brasília ETC.

Especialista em Neuromarketing e Neurobranding pela PUC-PR, pós-graduada em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL), ministra cursos e aulas presenciais de oratória em Brasília voltados ao desenvolvimento de clareza, presença, naturalidade, posicionamento e segurança na comunicação.


Serviço

FLUIR Oratória – Curso presencial de oratória em Brasília
Turmas: quintas-feiras e sábados
Formato: presencial
Instagram: @fluiroratoria e @marinafigueiredocomunica
Site: www.fluiroratoria.com.br
Informações e inscrições: (61) 99170-0606


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