Com 6,7 milhões de estudantes afetados no Brasil, instituições avançam além da resposta a episódios isolados e investem em rotinas pedagógicas voltadas à convivência
Em uma década, o número de vítimas de violência interpessoal registradas nas escolas brasileiras saltou de 3,7 mil para mais de 13 mil casos. O dado integra um cenário mais amplo. Cerca de 6,7 milhões de estudantes, o equivalente a 11% dos alunos do país, já relataram ter sofrido algum tipo de agressão no ambiente escolar, segundo levantamento do IBGE. A discussão ganhou ainda mais força com a sanção da Lei 14.811, que passou a prever punições para práticas de bullying e cyberbullying, ampliando a responsabilização e reforçando o debate sobre o papel das escolas na prevenção.
O Dia Nacional de Combate ao Bullying, celebrado em 7 de abril, ocorre em meio ao avanço desse debate. A abordagem reativa, baseada em acionar protocolos apenas após os episódios, começa a dar lugar a estratégias preventivas, centradas no desenvolvimento de habilidades socioemocionais e na construção cotidiana de uma cultura de convivência.
No Colégio Sigma, em Brasília, esse modelo já integra a estrutura pedagógica. A escola mantém protocolos contínuos de acompanhamento dos alunos, com rodas de conversa, mediação de conflitos e campanhas educativas incorporadas ao calendário letivo. O foco está no desenvolvimento de competências como empatia, escuta ativa e autorregulação, fatores apontados como determinantes para a redução de comportamentos agressivos.
“Mais do que agir quando o problema aparece, nosso foco é evitar que ele se forme. Trabalhamos diariamente com os alunos o respeito, a escuta e a responsabilidade nas relações. Esse acompanhamento constante permite intervir antes que situações de desrespeito evoluam”, afirma Marcelo Tavares, diretor pedagógico do Colégio Sigma.
A estratégia inclui ainda o protagonismo dos próprios estudantes, que participam de iniciativas de apoio entre colegas e ajudam na identificação precoce de conflitos, antes que se intensifiquem.
Para Gabriel Carvalho, também diretor pedagógico da instituição, o enfrentamento ao bullying passa pela construção de vínculos dentro da escola. “Quando o aluno se sente acolhido e parte daquele ambiente, ele tende a se posicionar de forma mais respeitosa. A prevenção está diretamente ligada à qualidade das relações que a escola constrói no dia a dia”, destaca.
Especialistas apontam que o bullying, caracterizado por agressões repetitivas de natureza física, verbal ou psicológica, pode gerar impactos duradouros, como ansiedade, isolamento social e queda no desempenho acadêmico, com efeitos que muitas vezes ultrapassam o período escolar.
O avanço dos índices ao longo da última década reforça que o enfrentamento ao bullying não se sustenta em ações pontuais. Para educadores e gestores, a mudança exige investimento contínuo na cultura escolar, no fortalecimento das relações e na construção de ambientes seguros dentro e fora da sala de aula.
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